A Ilha de Marajó é mais uma das jóias pouco conhecidas do Pará. Passei um dia no município de Soure e pretendo voltar para explorar melhor a ilha.

Banhada pelo Rio Amazonas e pelo Oceano Atlântico, é como se a ilha estivesse cercada por dois mares, um doce e um salgado. Na época da cheia do rio este se sobrepõe ao oceano Atlântico e na época das águas baixas o oceano se faz mais presente. Assim, ora a água dá mais peixes de água doce, ora dá mais peixes de água salgada.

Há mangues, igarapés, lagos e dunas. Na metade leste da ilha há áreas extensas de savana e na metade oeste há áreas cobertas por florestas.

A Ilha de Marajó é a maior ilha costeira do Brasil e a maior ilha fluvio-marinha do mundo.
Está localizada no estado do Pará, mais precisamente no Arquipélago do Marajó que possui cerca de 2.500 ilhas.
Está dividida em 17 municípios e é banhada pela foz do rio Amazonas e de outros rios, como o rio Pará, que desaguam suas águas no oceano Atlântico ao norte da ilha.

População: 533 mil
Moeda: Real (R$)
Língua: Português

Quando ir:
O Pará tem duas estações no ano, a que chove todo dia e a que chove o dia todo.

Em qualquer época do ano há o que fazer. Se sua intenção for praia vá de junho a janeiro, época com menos chuva e meses mais quentes. Para aproveitar passeios na floresta vá de fevereiro a maio, nessa época boa parte de Marajó fica sob as águas.

FAZER E NÃO FAZER
Fazer:
Use roupas frescas.
Leve repelente e dinheiro em espécie (poucos lugares aceitam cartão).

Não fazer:
Pisar sem cuidado na beira da água. Pode ter arraias.

7h30 - Café da manhã no Hotel Casarão Amazonia

O hotel oferece um café da manhã simples, mas bem feito. Com frutas, pães, bolo podre, doce e/ou geléia, café, manteiga de búfala o que falta é o queijo de búfala que não é servido na casa. Os ovos mexidos e as tapiocas são feitos na hora e vale muito a pena pedir!!

08h30 - M’barayo

O ateliê de Cerâmica Marajoara do artesão Zuca dos Aruãs ou Carlos Amaral (seu nome de batismo) reproduz peças baseadas na cultura Aruã, última etnia indígena a habitar Marajó.

O artesão fez pessoalmente uma peça chamada Igaçaba, que é um pote que representa a figura feminina durante a gestação, a mãe d’água, o lugar de água. Esse pote é usado para armazenar água, farinha, grãos, e também serve como urna funerária.

Em seu ateliê há também pratos lindíssimos relacionados a multiplicação e que devem ser usados em um ritual no qual não se pode deixar a água do prato cair. Outra peça que me chamou a atenção foi o copo do casal com duas saídas para o líquido que deve ser bebido pelo casal ao mesmo tempo.

09h30 - Praia do Pesqueiro

A praia do Pesqueiro é bem extensa e com areia super agradável para caminhadas. E o melhor é o “mar” de água doce  que oferece banhos numa temperatura ótima! Há ondas e não se vê terra a frente, o rio Amazonas é o maior rio do mundo em volume de água e o maior rio do mundo em extensão.

Fiquei numa sombra super agradável, deitada numa rede, tomando água de coco e sentindo os ventos marajoaras na pele.

13h30 - Almoço no Bar e Restaurante Paraíso Tropical

O Bar e Restaurante Paraíso Tropical fica na praia do Pesqueiro, preferi almoçar alí, pois era um dos poucos lugares que aceitava cartão (mesmo que apenas o de débito).

Bebi novamente uma água de coco e almocei um ótimo filé de filhote e casquinha de carangueijo.

15h - Passeio na Fazenda São Jerônimo

Devido às mudanças constantes das marés os passeios na Fazenda variam de horário constantemente. No site da Fazenda São Jerônimo sai todo mês uma lista dos horários em que será possível agendar um passeio.

O passeio dura cerca de duas horas e nele se monta em búfalos, se atravessa o manguezal numa trilha suspensa de 300 metros, se passa pela praia deserta do Goiabal e se passeia no Igarapé do Tucumanduba de canoa. O passeio tanto pode começar pelos búfalos e terminar na canoa como começar pela canoa e terminar com os búfalos.

Há, ainda, a possibilidade de, se se tiver mais de 18 anos, nadar com ou sobre um búfalo, com gente da Fazenda dentro da água. Isso acrescenta R$ 50,00 ao passeio.

Os búfalos fazem parte do cotidiano marajoara, eles são meio de transporte para moradores e policiais, são atração turística e servem de alimento para a população e turistas. Na Fazenda São Jerônimo eles andam livres e trabalham durante os passeios e puxando uma carroça com cocos, além disso não são abatidos, irão morrer de velhice. O Jerônimo me disse que sempre que eles podem resgatam búfalos maltratados na cidade.

Curiosidade: No manguezal há resquícios de um evento que aconteceu em 2015, o Banquete Ópera Festival! Esse evento reuniu música clássica e gastronomia em pleno mangue no Marajó.

17h30 - Fazenda Mironga

Passei na Fazenda Mironga apenas para comprar queijo de búfala e doce de leite de búfala. Sem exageros, o doce de leite é o melhor que já provei!

A Fazenda tem um esquema de venda de “Pegue, Pague, Leve”. Os produtos ficam em uma geladeira e os valores estão expostos para que o comprador possa comprá-los sem falar com ninguém.

19h30 - Jantar no Calhau Restaurante

Este restaurante é novo na cidade e pelo que observei muitos estabelecimentos que eu conhecia fecharam. Pedi o Sanduíche da Ilha (pão regional, manteiga do marajó e pasta de chouriço do Marajó), uma salada do campo de camarão (muito bem servida), um crepe de chouriço do Marajó e um suco de graviola. Estava tudo maravilhoso!

Infelizmente no dia que fui a Taperebinha, uma caipirinha de taperebá com melaço de cana, estava em falta. Se provarem me digam o que acharam!?

#Curiosidades

Nomes indígenas do rio Amazonas: Paraná-Açu (rio-mar) ou Amaru Mayu (a serpente mãe do mundo).

Há possibilidade de que no futuro a Fazenda São Jerônimo ofereça stand up paddle no Igarapé.

Em novembro a água do rio fica mais salina e mais esverdeada.

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